“Rente à Terra” fotografia, poesia e memória

O Museu Etnográfico da Castanha, em Aldeia do Bispo, acolhe a exposição “Rente à Terra”, da autoria de José Esteves Barreto, com o apoio do Museu da Guarda.


A exposição foi inaugurada com a presença do autor, numa tarde marcada pela partilha e pela descoberta de um olhar muito particular sobre a paisagem, as pessoas, o trabalho e as memórias ligadas à terra.

Através da fotografia a preto e branco, José Esteves Barreto percorre paisagens da Serra da Estrela, valorizando os pormenores, as texturas e as marcas deixadas pelo tempo e pela presença humana.

Fotografia e poesia

Um dos elementos que distingue esta exposição é o diálogo entre fotografia e poesia. Junto às imagens encontramos textos que aprofundam temas como a passagem do tempo, a permanência, a memória e a relação do homem com a terra.

          “Vigia do tempo,
          bússola dos ventos,
          contemplo o devir…
          E permaneço…”

As palavras ajudam a olhar de outra forma para as imagens e reforçam a ideia de uma terra que é simultaneamente paisagem, sustento, memória e identidade.

Um belo momento de encontro com o autor

A inauguração em Aldeia do Bispo aconteceu no dia 20 de junho de 2026 e contou com a presença de José Esteves Barreto.

Foi um momento particularmente especial, com o autor a acompanhar os visitantes pela exposição e a explicar as fotografias, as histórias e o olhar que está por detrás de cada imagem.

A possibilidade de ouvir diretamente o fotógrafo tornou a visita mais próxima e permitiu compreender melhor a relação entre as imagens, os poemas e o território que inspirou o seu trabalho.

Foi uma tarde de conversa, partilha e descoberta, que deu uma nova dimensão à exposição e aproximou o público do trabalho de José Esteves Barreto.

Um percurso que liga diferentes espaços culturais

“Rente à Terra” iniciou o seu percurso em Gouveia, onde foi apresentada no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta, e passou posteriormente pelo Museu da Guarda.

A chegada a Aldeia do Bispo dá continuidade a este percurso e reforça a importância da cooperação entre instituições culturais, permitindo que diferentes exposições circulem pelo território e cheguem a novos públicos.

No Museu Etnográfico da Castanha, esta exposição encontra também uma ligação natural com a identidade do espaço: a terra, o trabalho, a paisagem e a memória das comunidades rurais.

Sobre o autor

José Esteves Barreto nasceu na morna África, em quarto de hospital com vista para o céu e paredes meias com a guerra, lá por alturas dos anos 60. Ainda menino tirava “fotos”, com os olhos, a tudo e a todos, e as imagens guardava-as na memória.

No entretanto foi crescendo! Há algum tempo atrás, para seu grande espanto, conhece uma máquina também ela com “olho” e memória. Desde então, José passa largos e deliciosos momentos revelando à sua câmara o mundo de Deus e dos Homens.

José Esteves Barreto tem um percurso ligado à fotografia e ao território, com trabalhos que revelam uma atenção particular à paisagem, ao património e às marcas da presença humana. Em 2009, foi vencedor do Concurso de Fotografia António Correia, com um trabalho sobre “A pedra na natureza e nas construções”, e voltou a ser distinguido no mesmo concurso, em 2011, com um conjunto de fotografias dedicado aos “Vestígios da presença judaica no distrito da Guarda”.

Visite “Rente à Terra”

Uma exposição para parar, observar e descobrir, através da fotografia e da poesia, diferentes formas de olhar para a terra, a paisagem e a memória do nosso território.

Porque há lugares que não precisam de ser explicados. Precisam de ser olhados.

Comentários

Mensagens populares